Mostrando postagens com marcador SURREALISMO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SURREALISMO. Mostrar todas as postagens

5 de set. de 2014

VLADIMIR KUSH – SONHO E ILUSÃO

Fauna In La Mancha – Vladimir Kush.

O Surrealismo é um estilo de produção artística que se caracteriza pela combinação daquilo que é abstrato, irreal, inconsciente, onírico, considerado ilusão. Nessa perspectiva, tudo aquilo que nos regra ou impõe normas é rejeitado pelo mesmo. É ele, pois, subversivo. O Surrealismo é a luta pela retomada do tempo perdido dos sonhos, das fantasias e das ilusões.


Aries The Sheep - sculpture by Vladimir Kush.


Um dos grandes nomes da arte surrealista foi sem sombra de dúvida, Salvador Dalí, que inspirou diversas gerações de artistas. Entre eles podemos observar sua influência nas obras de Vladimir Kush.


Salvador Dalí.

Vladimir Kush.

Vladimir Kush nasceu em Moscou, na Rússia, em 29 de março de 1965. Quando perguntado sobre a primeira imagem que ele conseguia se lembrar de pintura ou desenho, Kush respondeu: "A minha carreira como artista começou quando eu era uma criança de 3 ou 4 anos. Meu pai era um matemático, mas também apaixonado por pintura, design e arte. Toda minha família paterna costumava desenhar o tempo todo. Desde muito cedo me incentivaram a desenhar e a pintar". Seus primeiros desenhos eram esboços de cenas dos livros que seu pai lhe deu. "Eu me lembro que nas longas noites de inverno eu tinha o hábito de me sentar no colo do meu pai que me incentivava a terminar meus desenhos: um menino esquiando, um velho andando com a bengala ... "


Vladimir Kush and his parents.

Kush relata que seu pai lhe inspirou a apreciar a conexão integral entre a matemática e a arte, da mesma forma que o fizeram os antigos gregos, que consideravam ambas como sendo de um mesmo nível, apreciadas como ciências profundas. Isto o fez perceber que o significado da pintura, deveria sempre incluir uma explicação bastante clara, de modo que o espectador pudesse aceitar o impossível, por meio de imagens simples revelando as metáforas e capturando a essência do assunto através de significados mais ou menos velados.

Sunset Stillness by Vladimir Kush.

Fiery Dance by Vladimir Kush.

Sobre a obra:

“A flor flamejante e resplandecente como uma tocha nos guia através das profundezas do tempo direto para os rituais do fogo dos tempos pré-históricos. As danças circulares em volta das fogueiras clamam aos espíritos poderosos que estes assegurassem o êxito na caça e nas guerras. Vemos as mãos dos que circundam a fogueira,  unidas e levantadas aos céus como que apelando as forças cósmicas por ajuda e proteção. A flor de fogo mágica e os movimentos circulares simbolizam o movimento das constelações ao redor do Sol.” – Vladimir Kush.


Vladimir era um menino sonhador, ligado à natureza, gostando de estar ao ar livre sempre que lhe fosse possível. Observava as nuvens passando por sobre a vastidão das estepes russas e se perguntava o que poderia encontrar mais adiante. Imaginava como seria superar o espaço de milhares de quilômetros para além da fronteira Norte do seu país, onde sabia existir o Mar Branco, ou ainda de como seria vagar até a fronteira Sul, de encontro ao Mar Negro, chamado de Pontus Euxinus, pelos antigos gregos.

I Saved My Soul - Vladimir Kush.

                                       Sobre a obra:

Leão e Cordeiro, desde os tempos antigos simbolizam qualidades opostas, fenômenos de guerra e paz, ferocidade e mansidão, dureza e suavidade... As imagens desta vez são introduzidas por Kush de forma diversa, sob um novo ângulo de visão - misericórdia e expiação. 
O leão liberando sua vítima salva sua alma. Esta ideia se materializa em uma imagem monumental de um leão de pedra, levantando a cabeça e virando os olhos fitando o céu. Lá, nas alturas celestiais flutua uma nuvem (o manso cordeiro, o "Cordeiro de Deus"). Também sabemos que o leão e o cordeiro deitados juntos simbolizam a futura ”Idade de Ouro” ou o “Paraíso Recuperado”.


Desde muito pequeno já demonstrava seu amor e admiração pelas flores e em sua infância cultivava plantas exóticas. Em uma entrevista disse: “Imagine que há neve lá fora, mas em sua janela um Amarílis vermelho está em plena floração. Ele é um enviado exótico dos países distantes! Amarílis é o nome de uma bela pastora, descrito na poesia grega há mais de 2 mil anos atrás. Na verdade, essa flor contém uma grande quantidade de poesia em si! Por isto gosto de representá-la.”

Amaryllis – Vladimir Kush.

Sobre a obra:

Representando um espaço recluso o bulbo da Amarílis simboliza o Paraíso. Longe dos olhos de estranhos, a partir do escuro da Terra, o amor de um homem e uma mulher germina. O tempo vai passando e o broto do amor se transforma em uma magnífica flor estendendo suas pétalas em direção ao céu. A cor vermelha é o símbolo da paixão, do amor e da força vital.


Music of the Woods – Vladimir Kush.

Admirava e passou a retratar ainda as borboletas, por sua habilidade e leveza de voo, sua liberdade, a representação da metamorfose completa (símbolos da jornada da alma humana de acordo com várias culturas diversas). Psiquê, deusa grega da alma, é retratada com asas de borboleta.

One Day in Live – Vladimir Kush.


Sobre a obra:

Esta pintura é a metáfora da transitoriedade e da fragilidade da própria vida humana. Apenas por um breve momento brilha a beleza da borboleta, para desaparecer em seguida, desfalecida por toda eternidade, sob os vidros da caixa de um colecionador. A figura do coletor é o próprio tempo, que fez uma armadilha para o destino humano.

Aos sete anos enquanto cursava a escola regular de manhã, a tarde estava matriculado na escola de artes onde se familiarizou com as obras de grandes artistas do Renascimento, Impressionismo e da Arte Moderna. Esta escola era uma escola experimental que permitia aos seus alunos um pouco mais de liberdade e de expressão artísticas, nela teve a sorte de ter professores que não tentaram força-lo ao academicismo, mas sim, defenderam a liberdade de sua criatividade. Foi ali, aos quatorze anos que Kush pintou seu primeiro quadro surrealista. Ele relataria mais tarde: “Devido a restrições políticas e geográficas, fui forçado a viajar com a minha mente como o fazem as crianças, e creio ter sido este fato um dos que mais moldaram a minha percepção artística e voz interior”.


Other Words – Vladimir  Kush.

Sobre a obra:

Tudo no mundo que nos rodeia está interligado, desde planetas distantes do sistema solar até as minúsculas gotas de orvalho, os seus centros inter- relacionados. Os planetas que estão em execução ao longo de suas órbitas sendo atraídos pelo Sol; a gota de orvalho pendurada na folha da manhã sendo atraída pela Terra... A compreensão de que a unidade interna traz a beleza e a ordem em nossa percepção do mundo.

Above the Sea Level – Vladimir Kush.

                                      
                                                  Sobre a obra:


Este quadro nos mostra o cérebro humano em formato de concha onde a fronteira entre o consciente e o inconsciente flutuam ao nível do mar. Acima do mar observamos casas iluminadas, formando uma parte pequena, porém brilhante de nossa consciência - a parte visível de nosso cérebro, e , como um iceberg, a parte maior está afundada nas profundezas dos sentimentos subliminares e instintivos.


Durante a adolescência Vladimir Kush era um admirador de Cézanne, experimentando os diferentes estilos do Impressionismo até que em 1980 teve a oportunidade de ter em suas mãos um livro de Salvador Dalí, que influenciaria seu futuro artístico. Aos dezessete anos foi admitido como aluno no prestigiado Instituto de Artes de Moscou, “Stroganov Academy“ (Stroganov Moscow State Academy of Arts and Industry), após ter passado por exaustivas provas de admissão na mesma. Um ano depois foi recrutado para o exército. Após seis meses, porém seu comandante chegou à conclusão de que Vladimir seria mais bem empregado para fins pacíficos e o designou para a elaboração de cartazes propagandísticos. Após o término do serviço militar obrigatório, Vladimir se graduou no Instituto de Belas Artes, passando a pintar quadros e a expô-los na “Arbat Street”, conhecida como “El Arbat¹" a fim de poder ajudar no orçamento familiar, já que eram tempos difíceis na Rússia, sob o jugo comunista da URSS. No “El Arbat” teve a sorte de pintar o retrato de dois estrangeiros, um dos quais era o Dr. Wolf, um oficial médico da embaixada americana, que mais tarde o convidou, em 1989, para viajar aos EUA, e, em 1990, um conhecido o ajudou na obtenção de vistos americanos.


Stroganov Moscow State University of Arts and Industry.

Old Arbat Street  -Ramil Gappasov -  oil on canvas.  


Começou a mostrar seus trabalhos profissionais em 1987, aos 22 anos, em exposições organizadas pelo Sindicato dos Artistas Russos chamando a atenção de funcionários da embaixada americana com seus trabalhos. Foi convidado a pintar uma série de quadros para os mesmos, porém teve de declinar a proposta porque a KGB suspeitava de seu envolvimento com os americanos, acusando-o de espionagem, considerando seu interesse por livros proibidos na URSS, nos tempos em que fazia o serviço militar. 


Full Moon Games – Vladimir Kush.


Planet Sunflower – Vladimir Kush.


Coburg – Alemanha.


Pouco depois foi convidado para participar de uma exposição em Coburg, na Alemanha, junto com mais dois outros artistas russos. Ali, vendeu quase todas as pinturas expostas (1990). Sua genialidade e originalidade foram percebidas por um Marchand francês que organizou uma exposição em Hong Kong no Mandarin Fine Art Gallery, em 1995, superando todas as expectativas. Foi um verdadeiro sucesso. Em 1997, sua jornada o levou a retornar aos EUA, onde havia residido anteriormente por um curto período de tempo, porém agora exibindo seus trabalhos em Seattle e em Lahaina, Havaí. O sonho do menino de ir além das fronteiras, em uma grande jornada pelo mundo, finalmente havia se tornado realidade. Vladimir Kush, afinal, havia abraçado o mundo, e depois de um tempo encontrou seu novo lar, ali, onde o grande oceano parecia querer se fundir com o cosmos, na ilha havaiana de Maui. Em 2001, Vladimir abriu sua primeira das quatro galerias de arte que possui hoje: a galeria "Kush Fine Art Gallery" em Laguna Beach, Califórnia. As outras três galerias se encontram em Las Vegas, Nevada; na ilha Maui, Havaí e em Lahaina, Havaí. Seus planos futuros são de expandir este número de galerias mundo afora. 


Kush Fine Art gallery.


Kush Fine Art gallery – Las Vegas, Planet Hollywood Way.

Kush Fine Art gallery – Las Vegas - Indoor.

Também começou a estudar escultura rapidamente dominando esta arte, transformando suas pinturas em obras tridimensionais. Sentiu esta necessidade, pois as esculturas lhe permitiriam acrescentar mais uma dimensão às suas ideias, comprovando sua teoria de que metáforas encontram-se não apenas na forma de palavras e de pinturas (duas dimensões), bem como em esculturas e joias (três dimensões).

Vladimir Kush sculpting.

Always Together – Sculpture by Vladimir Kush.


Candle - Sculpture – detail – Vladimir Kush.


Walnut of Eden – Sculpture – Vladimir Kush.


Twelve – Sculpture – Vladimir Kush.


Twelve – Sculpture – Vladimir Kush.


Arrow of Time  - Silber Earrings with Sapphires – Vladimir Kush.


Ring Always Together - Gold and Diamond Ring.


Leaf - Silver pendant with Diamond and White Topaz tear drop on leather string.


Um surrealista contemporâneo, Vladimir Kush, classifica suas obras como Realismo Metafórico. Sua arte é plena de simbolismos, nuances e percepções daquilo que apenas se pode sentir ou imaginar, onde diferentes objetos se fundem nos fazendo vislumbrar uma nova realidade. 


Ascent of Spirit – Vladimir Kush.

Sobre a obra:

O simbolismo desta obra é bastante transparente nos mostrando a ascensão humana a fim de atingir seu ideal, e o aprendizado de seu espírito ao transpor os degraus da escada.  As páginas do livro simbólico são as etapas de seu espírito. A pena de ave e o vôo de Ícaro ilustram a ideia do livre revoar da mente e do espírito humanos. A ideia de autoconhecimento surge do desenho de Leonardo da Vinci, "O Homem Vitruviano". O desenho é muitas vezes utilizado como símbolo de simetria do corpo humano, e mais à frente, do universo.


É um artista das metamorfoses, cujos traços ilusionistas, confundem os nossos olhos propiciando a mutação dos elementos de modo a gerar outros componentes imbuídos de novos significados. Uma suave melancolia permeia o seu trabalho, uma espécie de sentimento subconsciente, herdado de seu passado artístico na Rússia. O artista diria sobre seus trabalhos que “A imaginação não me é revelada apenas onde o sol brilha tão brilhante, às vezes minha alma precisa do sentimento do inverno sombrio, dos tons cinza azulados de Moscou”.


Arrow Of Time – Vladimir Kush.

Sobre a obra:

A flecha cosmológica nos mostra que o tempo teve o seu ponto zero, quando ocorreu o Big Bang e terá o seu fim, no Big Crunch (Grande Colapso), quando o Universo e o tempo desaparecerão. Não obstante a pintura representa simbolicamente as alterações não da história natural, mas da vida humana. Uma flecha perfurando a ampulheta é um símbolo vivo de uma rápida aceleração da história nos últimos cem anos. O tempo já não escoa feito areia através do medidor da existência, mas escorre rapidamente em direção ao futuro, destruindo em seu caminho muito daquilo que nos remete a estabilidade da vida, a confiança no futuro, e a variedade cultural. Assim é imprescindível que cada um de nós lembre, que toda e qualquer ação por menor que seja poderá ter um impacto dramático sobre o futuro, ao qual damos o nome de “Efeito Borboleta”.


Nas obras de Kush podemos perceber um universo simbólico repleto de significados que se revelam nas superfícies e nos recantos mais profundos de cada imagem, de cada cor, revelando as diversas nuances que apenas olhos sensíveis serão capazes de captar.


Reading Lamp – Vladimir Kush.

Sobre a obra:



O Livro é uma metáfora para a história da  vida humana. 

“Criamos uma relação entre o livro e nossas vidas quando nos referimos a um evento significativo das mesmas, por exemplo: “Mais uma página foi escrita”,”A cada dia temos uma nova página em branco para preencher"[...] - Vladimir Kush.

Ler um livro muitas vezes nos tira o fôlego evocando nossa criatividade. Como símbolo, o marcador de borboleta deixa fluir a nossa imaginação. A leitura requer atenção, solidão e silêncio, secundada pelo contraste da  luz da mente em meio à escuridão.

Ao fundo da obra lemos os seguintes escritos:

“Vita brevis, ars vero longa, occasio autem praeceps, experientia fallax, judicium difficile.” – Hipócrates.

Tradução literal: “A vida é breve, a ciência é grande, o acaso é instável, a experiência é enganosa e o julgamento é difícil.” – Hipócrates.

“Voluntas est superior intellectu.”

Tradução literal: “A vontade é superior ao intelecto.”

“Vox audita perit littera scripta manet.”

Tradução literal: “A palavra falada desaparece, a palavra escrita permanece.”


Always Together – Vladimir Kush. 


Sobre a obra:

Distanciando-se e novamente se unindo, duas lâminas de uma tesoura simbolizam a união do masculino e do feminino, ora reunidos em amor, ora despedindo-se em discussão. A obra é baseada na comédia de Shakespeare "As esposas alegres de Windsor", onde este pêndulo de sentimentos pode evoluir para uma dança furiosa de um par de aços deixando para trás pilhas de cartas de amor em corte.


Suas imagens respeitam um simples princípio: seguir de forma natural os caminhos e descaminhos da alma sem barreiras, tendo como fio condutor apenas os limites de suas fantasias, de seus sonhos e de suas ilusões.


Journey Along Of The Edge Of The Earth – Vladimir Kush.

Sobre a obra:

Esta pintura é dividida naturalmente em três partes, que representam três elementos: o Céu, o Oceano e o Mundo Subterrâneo. Em primeiro plano podemos vislumbrar a imagem do mundo subterrâneo, onde um fragmento de rocha em forma de ovo gigante paira entre as saliências afiadas das falésias. Ao fundo, avistamos nuvens em forma de pássaros voando. Ambos os planos interligados se vinculam aos mitos polinésios da Criação da Terra a partir do ovo posto no Oceano por uma ave gigante. Velas no mar e pássaros que pairam são símbolos de vento, respiração e da alma humana. Sendo dispostas na direção quase vertical, produzem a sensação do infinito cósmico do mundo ao seu redor.


Ao ser perguntado qual era o objetivo a ser alcançado em sua arte, Kush respondeu: "Refletir o mundo através do espelho das metáforas – As metáforas não pertencem apenas à comunicação linguística, também podem ser descobertas em nossas vidas diárias, pois se destinam ao nosso subconsciente e aos nossos sentimentos, dando asas à nossa imaginação, criando conexões entre duas coisas aparentemente distintas. Já dizia Albert Einstein, a imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento tem suas limitações, enquanto a imaginação não tem limites".  



Doors Of Night – Vladimir Kush.

                                                     Sobre a obra:

Nos Labirintos das mil e uma noites um templo antigo é iluminado por uma luz amarelo esverdeada sobrenatural – a aura de um Poder Superior. O último guardião caminha por entre a solene alameda de palmeiras para abrir os Portões da Noite. A luz das constelações purifica a mente e os sentidos, pois ele sabe que “se as Portas da Percepção se revelassem, a universalidade apareceria ao homem tal qual ela é, infinita” – (William Blake). E em falando aos céus ele ascende os degraus da percepção (simbolizados pelas sombras das palmeiras) conduzindo-o ao Deus onipresente e infinito.


A Metáfora deixa a mente aberta para que esta perceba as semelhanças ocultas das coisas e dos eventos, e quanto mais distantes estes forem um do outro, maior será o efeito obtido.
O inesperado da conexão e percepção súbitas nos tira o fôlego, tornando-se a verdadeira medida do valor da pintura. Diferente da arte que nos deixa sem palavras (Realismo), ou sugere que solucionemos um quebra-cabeça feito de símbolos (Surrealismo), a arte metafórica une ambas desafiando nosso subconsciente com o simbolismo de artefatos. 


African Sonata – Vladimir Kush.


                                                      Sobre a obra:

O toque de trombeta dos elefantes é um som de regozijo que irrompe  celebrando a ocasião da vida em si. Vozes das criaturas se misturam a polifonia de exultação a alegria. Nada mais justo serem os elefantes a liderarem esta sinfonia, pois quando o mundo era jovem, estes seres possuíam a força e o poder sobre tudo, encarnando sabedoria, longevidade, fidelidade, tolerância e compaixão. O som é o caminho para o cosmos, onde os timbres e vozes individuais são tão importantes como toda a orquestra universal. Na tradição grega, uma lira feita de chifres de antílope era o instrumento de Apolo, o deus da profecia e da música. De acordo com a doutrina hindu, quando Krishna tocava flauta, o cosmos começou a se mover e a criação do mundo começou.


Qualquer metáfora tem a sua própria história para contar. Metáforas enxergam através dos séculos, revelando-nos as imagens do mundo e conectando conceitos criados pela civilização. Ao mesmo tempo, a metáfora pode facilmente refletir as complexidades da vida moderna, com sua ambiguidade e suas contradições. 
“Minha missão é encontrar um "paralelo" metafórico para ambos, e ao criar o elemento de imprevisibilidade, viso abalar o espectador e despertar nele sua natureza artística” - Vladimir Kush.


Moonwatch – Vladimir Kush.

Sobre a obra:

“Duas coisas preenchem a minha alma com admiração e alegria: o céu estrelado acima de mim, e a fibra moral dentro de mim”. (Immanuel Kant)



Desde os tempos antigos, o céu nunca deixou de nos surpreender. Ao contemplar a lua inesperadamente descobrimos que é como se estivéssemos a vislumbrar uma profunda e obscura fonte. 
Seria possível que o nosso olhar fosse capaz de avistar o lado obscuro da Lua, normalmente fora de nosso alcance? 
Abrindo caminhos ao fluxo coletivo de consciência da humanidade, você talvez desperte as previsões de um antigo explorador das estrelas. Ele acreditou que o lado oculto da lua fosse côncavo, partindo deste princípio, ele concluiu que, um dia forças celestes inverteriam o eixo da Lua, e que sua luz como que convergida por uma lupa gigante, queimaria a Terra. Mas a lua é antes de tudo uma habitação abandonada.
Como escreveu um poeta russo: “Observando a noite, sonhando acordado, a praça vazia, sem o chafariz. Mas feitos da mesma pedra.” (Josef Brodsky). 
Queremos acreditar que não estamos sozinhos no Universo... A noite é profunda. As constelações surgem no horizonte escuro. A face do equino é leve e bela, seu olhar se direciona aos mundos distantes onde talvez uma manada de cavalos selvagens paste em liberdade.


¹ Uma via de pedestres de aproximadamente um quilômetro situada no centro histórico de Moscou. Existe pelo menos desde o século XV, sendo assim uma das ruas mais antigas da capital russa. 


27 de ago. de 2014

ARTE E SUAS CURIOSIDADES.

DALI E DISNEY – UM ENCONTRO COM O DESTINO


O curta-metragem de animação “Destino” é resultado da união de dois grandes artistas - O desenhista, roteirista, cineasta e já rei da animação, o americano Walt Disney e o pintor espanhol surrealista Salvador Dali, gênios e precursores em suas respectivas áreas, planejaram um belo curta-metragem de animação — surrealista, naturalmente.

                                  Salvador Dalí e Walt Disney.


O contrato, de dois meses, firmado entre ambos em janeiro de 1946, permitia a Dalí uma dedicação completa à realização do projeto na "Disney Studios Burbank" (Califórnia), mas depois de oito meses o trabalho ainda não estava concluído. Ao mesmo tempo, “Fantasia”, a animação clássica de 1940, era rejeitada pelo público e a Disney perdeu mercado na Europa. O projeto foi interrompido por problemas financeiros durante a II Guerra Mundial e não havia boa perspectiva comercial para a obra. John Hench (um dos mais conceituados artistas do departamento de Animação da Disney, que na época foi chamado para ensinar a Salvador Dalí a técnica de animação dos estúdios) chegou a compilar uma animação de teste, com 17 segundos, na esperança de reanimar o interesse da Disney pelo projeto, mas o cancelamento da produção foi confirmado. Em seguida, seus estúdios foram requisitados pelo exército e acabaram produzindo “cartoons” para incentivar as tropas.

Salvador Dalí and Walt Disney.


                                             Dalí and Hench.

Cartoon da Disney criado para as tropas americanas – “Together we win”.

Por algum tempo, o projeto permaneceu secreto para grande parte do estúdio. Trabalhando num ateliê no terceiro andar do antigo “Animation Building” dos Estúdios Disney, Salvador Dalí e John Hench, estavam unidos criando uma nova técnica de animação, o equivalente cinematográfico a “paranoid critique” de Dalí. Este método, que teria pouca conexão com o título, é enormemente inspirado pelo trabalho de Freud no subconsciente e na inserção de imagens ocultas duplas no trabalho de arte. Dalí apresentaria uma imagem que o espectador reconheceria como sendo uma coisa…. E lentamente forçaria o espectador a visualizar formas estranhas na imagem, que podem eventualmente revelar algo novo.

                          "Animation Building” dos Estúdios Disney.

Sketch for Destiny by Dalí.

The same scene on animation film.

O trabalho do pintor catalão Salvador Dalí era preparar uma sequência de seis minutos combinando animação com dançarinos ao vivo e efeitos especiais para um filme no mesmo formato de “Fantasia”. Quando Dalí roteirizou “Destino” em sua forma livre de pensamento para se encaixar perfeitamente na canção do compositor mexicano Armando Dominguez, um cenário enigmático apareceu representando as ideias do artista sobre o amor e o que o tempo faz a ele.  O roteiro que criou com assistência de sua esposa Gala descreviam como os apaixonados em “Destino” seriam filmados com dançarinos de ballet ao vivo (em live-action) ao lado dos cenários ‘Daliescos’ repletos de estátuas, telefones, conchas e moedas. Eles estariam ‘lutando’ contra o tempo, na forma de um gigantesco relógio solar que emerge da grande face de pedra de Júpiter, que determina o destino de todos os romances humanos. Dalí dizia ser “Uma exposição mágica do problema da vida no Labirinto do Tempo” e na visão de Walt Disney se tratava de uma simples história da busca de uma jovem pelo verdadeiro amor. A balada romântica do curta “Destino” foi escrita pelo compositor mexicano Armando Dominguez e interpretado por Dora Luz.

                                Cenas da animação “Destiny”.

Dora Luz, cantora.

Armando Dominguez, compositor.

Dalí rapidamente adotou a rotina do estúdio. Por dois meses, ele chegou pontualmente todos os dias às 09h e 30min da manhã, e trabalhava em seu cavalete. O artista normalmente almoçava no restaurante executivo do estúdio – “Coral Room” – com Disney e Hench, ou com os empregados do estúdio conversando com sua mistura de línguas quase indecifrável: uma mistura de francês, espanhol, catalão e um “mal” inglês. Sua esposa e musa, Gala, frequentemente o acompanhava ao estúdio para inspirar seu marido. Quando ela estava lá, Dalí era mais produtivo, criando desenhos para serem utilizados junto à trilha musical pré-gravada.

Salvador Dali at Disney Studios.


Cena do curta "Destiny".

Cena do curta "Destiny".

Salvador Dali at Disney Studios.

Salvador Dali, Walt Disney, Gala, Lillian Bounds,esposas de Dali e Disney, respectivamente.


Combinar o Surrealismo com a animação era algo jamais visto aquela época, Disney queria que a animação deixasse de ser coisa de criança e se tornasse de vez uma forma de arte. É claro que, com o cancelamento de “Destino”, a chance de ganhar o reconhecimento seria perdida para sempre. “Destino” poderia ter modificado, à época, a forma de se ver e de se compreender a animação. Somente 58 anos depois, em 2003 “Destino” seria concluído.


Cena do curta "Destiny".


Cena do curta "Destiny".

Cena do curta "Destiny".


Em 1999, Roy Edward Disney, sobrinho de Walt Disney, encontrou o material e convidou o estúdio parisiense da Disney para dar continuidade ao trabalho. A direção ficou ao encargo de Dominique Monfery que convocou 25 animadores para retomarem os “storyboards” originais deixados por Salvador Dalí e John Hench. Como este último ainda estava vivo e conhecia profundamente a obra, serviu de orientador no término desta, baseando-se em notas de Gala Dalí (esposa de Salvador Dalí), assim como em suas próprias anotações. O resultado é uma animação que inclui imagens originais de Hench, cenários inspirados nas pinturas de Dalí e também animações feitas no computador. A animação deveria ser inserida como parte final no filme “Fantasia 2006”, posteriormente cancelado pela Disney.


Roy Edward Disney.

 Dominique Monfery.


"Destino" estreou então em dois de junho de 2003, no "Annecy International Animated Film" Festival” na França.  O Curta Metragem foi muito bem recebido ganhando vários prémios sendo inclusive indicado ao Oscar de 2004 na categoria de melhor curta de animação. 
Em 2007 foi exibido no Museu Tate Modern, como parte da exposição “Dalí & Film”, fez parte da exposição “Dalí”, no "LA County Museum Of Art", bem como em uma exposição do Museu “New York Modern Art” denominada “Dalí: Pintura e Cinema”, percorrendo ainda diversos outro Museus em exposições relacionadas ao artista Salvador Dalí.


Walt Disney and Salvador Dalí.

Infelizmente seus mentores, os inesquecíveis, Walt Disney (falecido em 1966) e Salvador Dalí (falecido em 1989) não chegariam a assistir a conclusão de seu trabalho conjunto.

                                      Cena do curta "Destiny".

“Destino” é uma história de amor. O curta de seis minutos conta a história de Chronos, a personificação do tempo e da incapacidade de realizar seu desejo de amor por uma mortal. A história segue enquanto a mulher dança, sem interrupção, conectada ao cenário surreal. As cenas misturam a iconografia das pinturas de Dalí com dança e metamorfose. Não há diálogo, mas a trilha sonora inclui música escrita pelo compositor mexicano Armando Dominguez, interpretada pela cantora Dora Luz.




Blogger Wordpress Gadgets