22 de ago de 2018

CONTOS DE FADA MODERNOS – UM ENSAIO FOTOGRÁFICO DE KATERINA PLOTNIKOVA




Há muito tempo atrás quando o ser humano ainda não dispunha dos recursos tecnológicos que possui hoje existiam as fábulas e os contos, que eram transmitidos oralmente, de geração em geração, através dos anos. Pequenas estórias que eram contadas às crianças na beira de suas camas, com o objetivo de transmitir de forma lúdica valores ou crenças que eram considerados importantes.







Estes contos traziam aos seus protagonistas situações de antagonismo, impasse, contrariedade, e, também de vitórias. Para as crianças escutá-las fazia com que se identificassem com as mesmas aprendendo a lição imbuída em cada conto trazendo-a consigo pelo resto da vida. Quando cresciam e tinham seus próprios filhos contavam a eles a mesma narrativa








O poder do conto de fadas é tão grande que até hoje, séculos depois, a magia deles permanece. A forma de contá-los pode ter se alterado muito ao longo do tempo, mas a essência e a fantasia que eles carregam não se perderam.


























  

































A fotógrafa russa Katerina Plotnikova raramente usa fotomontagem em suas imagens que retratam  elementos míticos e contos de fadas em tons suaves e etéreos dando as fotografias um quê de sonho. Katerina consegue captar em cada imagem muito além de um cenário digno de contos de fada, ela é capaz de criar uma atmosfera mágica. Suas fotos retratam a inocência que nos leva a lembrar de que os contos de fada nunca morrem, pois continuam vivos em nosso imaginário e em nossos corações.





Com a ajuda de treinadores, seus modelos interagiram com animais como ursos, elefantes, girafas e alces. Katerina conseguiu criar tamanha afinidade entre a vida selvagem e humana que alcançou uma conexão energética, um carinho implícito, um profundo respeito e admiração, quietude e leveza que nos elevam a outra dimensão, ao âmbito dos sonhos.






Katerina Plotnikova define seu trabalho como "UM OUTRO CONTO SOBRE MARAVILHAS". Seu trabalho é simples, mas muito deslumbrante, com uma boa utilização de luz, cor e ambiente, além da sensível captura de expressões completamente naturais de seus modelos em cada uma de suas fotografias.



















      Saiba mais sobre Katerina Plotnikova seguindo os links:


 https://www.facebook.com/KaterinaPlotnikovaPhotography/


https://www.instagram.com/_katerinaplotnikova_/?hl=pt-br



























15 de ago de 2018

A BELÍSSIMA ARTE DE ZHIWEI TU



"Pintura é poesia silenciosa e poesia é pintura que fala." - Simônides de Ceos citado em Plutarco, Obras Morais, A glória dos atenienses.


Zhiwei Tu - Autoretrato

                                   







Saber dar vida aos seres retratados com pinceladas é considerado por muitos o auge da arte visual. Poucos atingiram o nível de profissionalismo que Zhiwei Tu alcançou. Sua capacidade de conceber os traços humanos a partir das emoções e temperamento dos mesmos evocando a ilusão de uma pessoa viva, que respira, sorri, caminha, dança... como uma mulher bonita tocando um instrumento musical ou ainda fazendo um gesto gracioso com as suas mãos, tão reais que parecem estar em movimento.




























Todas estas cenas do cotidiano permeadas por uma luz quase que divina, que ora ilumina, ora oculta as personagens ali retratadas, como poesia silenciosa emanando de seus pincéis. O tempo que marcou sulcos no rosto de um ancião que viveu ao ar livre, o rosto ingênuo de uma criança que brilha a luz do sol, permitem que o espectador relembre sentimentos e emoções inerentes a cada um de nós através da arte. 





Quando uma história pode ser contada sem o uso verbal das vogais e consoantes, quando o silêncio pode ser retratado feito música, através do uso de uma pincelada bem direcionada, então se encontra a personificação do talento de um mestre pintor. Luz e cor são essenciais para qualquer pintura. Zhiwei Tu dominou a habilidade de criar a ilusão de ambos tão lindamente que deixa o espectador sem fôlego ao ver seu trabalho magistral.












Entre as pessoas que vivem em distritos rurais remotos em contraste com os moradores da cidade, ainda existem muitas histórias e lendas antigas. Esta seja talvez uma das razões pelas quais Zhiwei Tu já no final de sua carreira voltou a se interessar por eventos históricos, quiçá procurando voltar a suas origens retratando a ancestralidade de seu povo, seus costumes e tradições.












Muito poucos artistas podem reivindicar a honra de ter um museu de arte inteiro nomeado em sua homenagem em vida. Quão mais extraordinário é que Tu Zhiwei ascendeu a tais alturas depois de um começo extraordinariamente humilde. A história de vida de Tu, assim como seu trabalho artístico, atestam a verdadeira genialidade, coragem pessoal, determinação, trabalho árduo e generosidade de espírito deste artista.







Zhiwei Tu, nasceu em 1951 de pais camponeses muito humildes em uma remota aldeia rural no vilarejo de Liu-Li, condado de Weng-Yuan na província de Guang-Dong, China. Como outros garotos da aldeia, quando criança, Tu ajudava a trabalhar a terra, descalço a maior parte do tempo ou ainda realizava as tarefas domésticas esperadas de cada criança camponesa. Ele passou seus dias pastoreando ovelhas e coletando comida a qual era escassa. Assim, sua vida rudimentar não divergia muito da de seus ancestrais.









Quando começou a frequentar a escola da aldeia local, Tu recebeu uma lousa, giz, papel áspero e lápis para o trabalho escolar. Com esses instrumentos grosseiros, ele logo demonstrou um extraordinário talento para o desenho que cativou a atenção e a admiração de seus professores. No vilarejo de sua juventude, no entanto, desenhar era um passatempo sem aplicação prática e sendo assim o menino recebeu pouco encorajamento. Não foi até o equivalente à idade do ensino médio que Tu viu pela primeira vez tintas a óleo sendo usadas para criar imagens coloridas. A forma como esta descoberta se deu é uma história verdadeiramente notável.







Á época, o governo em Pequim enviou um artista experiente para a aldeia para criar uma imagem enorme do presidente Mao Tse-tung. Uma tarde, o jovem Tu por um daqueles acasos, que alguns denominam destino, viu o pintor em seu trabalho. Fascinado, ele observou por horas a fio e finalmente perguntou ao homem se ele poderia ter amostras de suas tintas. Tu então levou-as ao equivalente da farmácia da aldeia. Lá, adquiriu latas de tinta que ele misturou em casa em mais de uma dúzia de tons diferentes. No dia seguinte, em vez de ir para a escola, Tu retornou ao local onde o artista ainda estava trabalhando no retrato.




Corajosamente o menino Tu abriu um espaço de trabalho ao lado do artista e começou a pintar seu próprio retrato de Mao. Quando o artista e o menino terminaram, os anciãos da aldeia ficaram chocados ao descobrir que o retrato de Mao de Tu era muito superior ao do artista contratado para fazê-lo. Eles até o selecionaram para exibição pública em vez da própria pintura do artista. A partir daquele momento de introdução as maravilhas da pintura a óleo o menino Tu não quis mais parar de pintar. Ele trabalhou como se possuído, pintando tudo o que via ou poderia imaginar em sua mente. Totalmente autodidata, o olho aguçado do menino e a capacidade fenomenal de transferir o que observava ou imaginava em obras de arte aturdiram todos que o conheciam. Para seu crédito, sua professora e seus pais deram ao rapaz a liberdade de continuar se expressando dessa maneira. 





Logo, a notícia do jovem extraordinário com o surpreendente presente artístico se espalhou bem além da aldeia. Diretores de museus, professores de arte e funcionários do governo viajaram de centenas de quilômetros de distância apenas para ver o fenômeno com seus próprios olhos. Entre as dezenas de visitantes importantes estava o diretor do Centro Cultural de Wengyuan, que ofereceu a Zhiwei Tu uma bolsa de estudos integral se ele concordasse em realizar estudos formais lá.










Zhiwei Tu, ingressou na universidade em 1972, e obteve o título de bacharel em Belas Artes em 1975. Depois disso, trabalhou por um tempo para ilustrar livros infantis para editoras enquanto tentava desesperadamente continuar a pintar com seriedade no  pouco tempo livre que possuía. Mas ele tinha que trabalhar em segredo, sob a cobertura da escuridão. A Revolução Cultural, que começou em 1966 e durou cerca de dez anos, não melhorou a cultura chinesa, como o próprio nome sugere. Em vez disso, ocorreu o oposto. Os intelectuais da China foram publicamente assediados, forçados a trabalhar nos campos, a limpar banheiros e a permanecerem eternamente envergonhados nas paradas de ônibus públicos ou marchando pelas ruas usando bonés de "burro" com cartazes pendurados no pescoço, proclamando seus "pecados". Muitos foram severamente espancados. Todos foram obrigados a estudar os ensinamentos de Mao e ler apenas livros aprovados sobre ele. Estudantes denunciaram seus professores, crianças denunciaram suas famílias, vizinhos denunciaram uns aos outros.






A única arte que foi tolerada envolvia assuntos que glorificaram a revolução. Foi considerado contra-revolucionário abordar temas pessoais ou inspiradores no trabalho de alguém. Qualquer artista que quisesse expressar seu talento individual por meio de pinturas, esculturas ou outras formas de arte só o fazia com grande risco para si próprio. Uma vez, enquanto Tu criava uma pintura a seu gosto, alguém de repente abriu a porta do quarto e a viu. Um relatório foi feito de uma só vez. Como punição, Tu foi forçado pelos Guardas Vermelhos a cuidar de gado em uma fazenda distante.










Como todas as escolas de pós-graduação foram fechadas quando a Revolução Cultural atingiu seu apogeu, os estudos de Tu foram interrompidos. Sem poder criar, estudar e ser livre ele se tornou andarilho e fugiu. Por meses vagou por partes distantes da China observando e aprendendo muito sobre a cultura, a história e os costumes contemporâneos das muitas localidades e grupos étnicos em todo país. Essas experiências o inspiraram a criar centenas de pinturas e esboços do povo do Tibete e de outras áreas remotas e quase inacessíveis. Foi durante essas viagens, também, que ele foi inspirado a realizar a pintura de uma obra heroica representando a monarquia das antigas cortes da China.








Em 1978, a Revolução Cultural estava paralisada. As universidades da China reabriram seus programas de pós-graduação. O prestigioso “Guangzhou Art Institute”, um dos centros de arte mais anunciados do mundo, realizou um concurso de arte naquele ano. O maior prêmio para os melhores artistas foi a chance de se inscrever como aluno de pós-graduação.
Zhiwei Tu venceu a competição e entrou no Instituto para estudos adicionais. Dois anos depois, ele foi premiado com um mestrado em artes plásticas, enquanto aperfeiçoava sua técnica.
Ali conheceu sua futura esposa, Danny Hu. Hu, era violinista da Orquestra do Instituto Guangzhou e filha de Hu Yichuan, então diretor do Instituto e um dos principais pintores chineses do século XX.



































No Instituto de Guangzhou, Tu pôde estudar com artistas notáveis como Guo Shaoguan, Xu Jianbai, Yin Guoliang, Wang Zhaomin e, claro, Hu. Pouco depois de ganhar um M.F.A., o trabalho de Tu começou a receber reconhecimento em alguns dos mais altos círculos do mundo da arte chinesa. Tu foi convidado para se tornar membro da Associação de Artistas de Guangdong e da Associação de Pintores de Óleo de Guangdong.

Em 1981, ele recebeu uma indicação como professor de Belas Artes no Instituto de Guangzhou. Ainda participou de três exposições nacionais e, como resultado, foi convidado a se tornar membro da prestigiosa Associação de Artistas Chineses.







As pinturas de Zhiwei Tu foram adicionadas às coleções permanentes de muitos notáveis museus chineses, incluindo o Museu Nacional de Pequim. Seus trabalhos foram exibidos em toda a China e apresentados na revista “Fine Art” da China, “Painter of Fine Art” de Hong Kong, “Artist Magazine” de Taiwan, e vários livros de arte e revistas nos EUA.

Artigos sobre Tu e suas pinturas aparecem regularmente em muitos veículos do meio artísitico. Revistas incluindo a Galeria de Arte de Guangdong, a Galeria de Arte de Tiangjing, a Revista de Arte de Jiangsu, a Revista Pictórica de Guangdong e a Revista Pictórica de Zhejiang, bem como os noticiários de televisão da China e em muitos jornais. Livros de Arte que colecionam seu trabalho, como as Pinturas a Óleo de Tu, Weng Shan Han Mo e Zhiwei Tu, foram publicados em Taiwan, China e Estados Unidos, respectivamente. Muitos artigos sobre Tu foram escritos por conhecidos críticos de arte e colegas de ofício.
































O ex-vice-presidente do Instituto de Belas Artes de Guangzhou, Yin Guoliang, disse sobre Zhiwei Tu:


"Quando você está na frente do trabalho de Tu, você está em uma atmosfera cheia de entusiasmo e espírito sem adornos. Como uma fonte, sua abundante inspiração flui de seu pincel para sua tela. Ele é capaz de expressar grande emoção em suas pinturas. Em seu trabalho encontrou um caminho especial que pertence apenas a ele próprio. Ele voa livremente com suas asas no céu azul da arte. As pinturas de Tu são de caráter simples. Nenhuma esperteza, truques da moda ou superficialidade aparecem em seu trabalho. Ele estabeleceu um sentimento especial na arte que pertence apenas a ele”.









Diz ainda sobre o artista o corretor de artes americano Don Auto:


"A coisa surpreendente sobre Zhiwei Tu, é que, embora ele empregue diversos estilos, ele domina cada um igualmente. Suas telas grandes, heroicas e realistas são cheias de ação e drama, mas até as peças mais realistas ou menores são memoráveis. É mais do que uma questão de excelente técnica. Ele absorve as emoções de seus modelos, não importa o estilo que está sendo usado. Sua maestria de cor e honestidade presenteia a visão do espectador. É quase que um impacto dramático, causado pelos extremos detalhes que até mesmo uma câmera não poderia capturar e a visão humana precisa chegar a poucos centímetros da tela para que as minúsculas pinceladas fiquem visíveis".






Buscando ampliar sua educação e aprofundar sua carreira, Zhiwei Tu recebeu um período sabático do Instituto de Guangzhou para aceitar uma bolsa integral na Drake University, no coração da América, em 1987. Lá, ele estudou com o internacionalmente aclamado pintor americano Jules Kirschenbaum.



























































Ousadia e determinação, acompanhadas por anos de treinamento e talento resultam neste grande pintor: Zhiwei Tu, um homem que nunca ficará satisfeito com apenas uma maneira bem-sucedida de expressar seu ofício. Este grande artista foi capaz de mudar o estilo da beleza clássica de seu treinamento inicial na China para a pincelada direta e ousada do impressionismo russo. Zhiwei Tu não é apenas um artista, ele é um habilidoso contador de histórias, cada uma delas lindamente contada em detalhes exuberantes de cor, luz e sombra em interpretações quase abstratas que mostram seu talento. Obras-primas de um grande mestre da pintura chinesa, Zhiwei Tu.   





"A pintura chinesa moderna tende a ser muito representativa. As pessoas parecem esperar esse estilo de mim", diz Tu. "Eu gosto do realismo, é claro, mas meu estilo favorito é o que pode ser classificado como impressionismo".




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