1 de jul. de 2015

105.000 VISUALIZAÇÕES.

Arte Gráfica - Bruno Corecco.



"A arte torna visível o que a alma tem a dizer." - Martin-Georg Oscity

"Die Kunst macht sichtbar was die Seele zu sagen hat." - Martin-Georg Oscity

"The art makes visible what the soul has to say." - Martin-Georg Oscity

"L'arte rende visibile ciò che l'anima ha da dire." - Martin-Georg Oscity

"El arte hace visible lo que el alma tiene que decir." - Martin-Georg Oscity

"L'art rend visible ce que l'âme a à dire." - Martin-Georg Oscity


2 de jun. de 2015

IRIS GRACE – A ARTE DESVENDANDO A SENSIBILIDADE DE UMA ALMA AUTISTA

Iris Grace Halmshaw - "Anima" By Iris Grace.



“A normalidade desconsidera a beleza que a diferença nos traz” – Faith Jegede 
(tem dois irmãos autistas).

                        O VELADO REVELADO. 


Iris Grace pintando em seu jardim.


O que se esconde na alma humana? O quanto a beleza, a arte e a sensibilidade podem aflorar em qualquer pessoa? O que faz com que alguns venham a este mundo com dificuldades de interação, de comunicação? As explicações vão desde a ciência clássica terminando na ciência espiritual, porém certo é de que cada ser é especial, cada um de nós possui uma missão, um caminho de vida, luz própria. 


Iris Grace em seu local favorito no jardim.

Sea Angel – by Iris Grace.


Tenho convicção de que a arte mais do que qualquer coisa é capaz de nos desvendar, de trazer a tona o melhor e o pior em nós, de forma terapêutica, faz emergir nosso mundo interior. Nossos anseios, medos e dúvidas, assim como nossas paixões afloram através das pinceladas, das texturas, das linhas e das cores em um processo de autoconhecimento e cura espiritual.


Iris Grace pintando aquarelas.



Music at Sunrise by Iris Grace.


Blossom in the Wind by Iris Grace.


Há sempre uma incerteza, uma delicadeza ao transitar pela fragilidade alheia, porque sim, todos nós temos nossas vulnerabilidades, na verdade, somos todos especiais de alguma forma, estejamos diagnosticados ou não. 


Little Iris Grace                   


    Equlibrium by Iris Grace


Monsoon by Iris Grace.       

É através deste processo de criação que uma pequena menina de cinco anos, identificada aos dois anos como portadora de Autismo nos revela com delicadas pinceladas a sua alma. Elas nos falam de suavidade enquanto as cores se mesclam, fundindo-se umas nas outras formando novas tonalidades e nuances em uma harmonia perfeita.


Little Iris Grace painting/ above -  Explosion of Colour/below – Raining Cats



Anima by Iris Grace.


  Willow Grace by Iris Grace.



Tumpty Tum By Iris Grace( but for me it looks like “Universe”)


Sempre em companhia de sua gatinha Thula, a pequena inglesa, Iris Grace Halmshaw parece ser como qualquer outra criança de sua idade. Sorridente, gosta de dançar na ponta dos pés, de ser princesa, de correr, de folhear livros e de caminhar entre árvores e flores em dias ensolarados, porém seu desabrochar está como preso em meio a um profundo silêncio.


Iris e Thula                         


Iris criando sendo observada por Thula


               Iris no jardim


Pintando com Thula            

sendo “princesa” , com Thula

        Sendo apenas criança


Em seu cantinho especial,                                                                    criando, com Thula.


Descansando com Thula porque ninguém é de ferro.



 Na ausência de si mesma que acaba por calar todo o seu ser, quase que interrompendo o fluxo de vitalidade retido em seu interior, impedindo-a de converter em palavras seus pensamentos. Iris Grace apenas recentemente aprendeu a falar. Junto com a terapia da fala, seus pais gradualmente introduziram a pintura, e foi quando descobriram seu talento incrível. Sua mãe, Arabella Carter-Johnson a incentivou fornecendo-lhe as tintas na esperança de que Iris Grace fizesse alguns símbolos no papel usando pincéis e cores e qual não foi sua surpresa ao perceber que através da arte sua filha conseguia se expressar, conseguia contar-lhe um pouco de si construindo uma ponte entre elas, mostrando uma compreensão de cor admirável como que se brincasse com as mesmas, fazendo-as interagirem e se fundirem revelando misteriosas paisagens envoltas em brumas, ora desvelando ora vedando-nos a compreensão de suas sensíveis pinceladas fluídas. Com sua arte Iris Grace é capaz de retratar os seus labirintos internos, revelando ao mundo os sentimentos e percepções que os autistas mantêm aprisionados nas profundezas de seu ser. Em suas pinturas Iris traduz as palavras não ditas, as frases inacabadas, libertando-se das amarras físicas tornando-se soberana de si mesma.


Com sua mãe, Arabella                                                                   Carter-Johnson.



         Iris Grace – Pintando


Painting a Lullaby and Kuendelea, paintings by Iris Grace.


Octavia by Iris Grace.         

The Tale of Green by Iris Grace.





Arien by Iris Grace             

Carmen Fantasy by Iris Grace



Motion by Iris Grace           


Iris and Thula.


O autista não se deixa invadir, nem pede que o estimulem, porém traz dentro de si todo um mundo que anseia por liberdade. Talvez este universo interior seja de uma simplicidade incompreensível para os demais uma vez que nele não existem mentiras nem dissimulações, somente verdades. Quiçá a arte que se faz perceber pela linguagem visual e auditiva alcance o seu vasto planalto interior de pensamentos objetivos fazendo com que consiga encontrar a abstração da qual tanto necessita e com a qual ele poderá fazer a conexão chegando ao outro lado, no qual nós nos encontramos. Não há, porém um lado correto, somos todos, almas em constante evolução, mistérios impenetráveis, isolados e próximos, luz e sombra.


Em seu “atelier” – Iris Grace.


Dance to the Oboe by Iris Grace. 


As obras de Iris Grace têm sido comparadas por críticos e colecionadores de arte as pinturas impressionistas de Monet. A mim pessoalmente, lembram muito as aquarelas feitas na Antroposofia , arte terapia e  pedagogia Waldorf, pela sua fluidez, suavidade e por darem a impressão de serem etéreos. Além de impressionantes, os trabalhos têm sido usados para chamar atenção para o problema do autismo no mundo inteiro. O site desta pequena notável merece uma visita. Lá você conhecerá um pouco mais de sua história e poderá comprar cartões postais de suas pinturas auxiliando assim em seu tratamento.


Claude Monet - 1914-17 Iris at the Sea-Rose Pond oil on canvas


Water Dance by Iris Grace


Sunset - Waldorf Paintings.               

Bluebells by Iris Grace.


Velature - R.Steiner Paintings –                                   Antroposophy.


Cards by Iris Grace.


Observando as pinturas, mas também o meio ambiente e o lar no qual vivem Iris Grace com sua gatinha Thula mais uma vez me vem à certeza de que no mundo não há força maior do que o amor, que em seu abraço caloroso a tudo envolve, e de que, independente de qualquer coisa, nós pais temos obrigação de passa-lo incondicionalmente aos nossos filhos, e se assim o fizermos teremos uma chance de construir um mundo onde a arte em todas as suas vertentes se tornará realidade.


Um Cantinho feito com amor especialmente para chamar de "seu".


Rolling balls by Iris Grace.


Little Artist.                         


Sun Dancing by Iris Grace.


Iris e Thula – almas inseparáveis.



Site de Iris:



23 de mai. de 2015

100.000 VISUALIZAÇOES

Arte Gráfica - Bruno Corecco.


“A Arte é eterna, a vida breve, o julgamento árduo e boas oportunidades, fugazes”. – Johann Wolfgang Von Goethe.

“L'arte è lunga, la vita breve, il giudizio difficile, l'occasione buona passeggera.” - Johann Wolfgang Von Goethe

"Art is eternal, the life is brief, the judgment hard and good opportunities, fugatious." - Johann Wolfgang von Goethe.

"Kunst ist ewig, das Leben kurz , das Urteil hart  und gute Möglichkeiten, flüchtig." - Johann Wolfgang von Goethe.

"El arte es eterno, la vida breve, el juicio duro y buenas oportunidades, fugazes." - Johann Wolfgang von Goethe.

“L'art est éternel, la vie brève, le jugement dur et de bonnes opportunités, éphémère." - Johann Wolfgang von Goethe.

14 de mai. de 2015

SOBRE A ARTE DE AMAR. – UMA HOMENAGEM A MINHA DALMATÁ.

Chiara.


Ontem perdemos nossa melhor amiga, companheira fiel por quatorze anos, ela se foi, sucumbiu a doença que vinha lhe maltratando, foi ser luz no firmamento. Aqui uma singela homenagem ao melhor cão que já existiu.

Chiara.                              


Assim como o nascer, o morrer é luta travada...
A morte deixando um rastro de ausências, de vazios silenciosos..
Veio devagar, quase imperceptível e foi tomando conta de você, embaçando o seu olhar, apagando sua alegria, minando sua vitalidade, destruindo suas forças. No final – só dor!
Tanta e tão intensa que doía em nós, impotentes diante do seu olhar, de seu sofrimento.
Então hoje, você pôde partir, finalmente. Se foi com a mesma dignidade e coragem com a qual você viveu. Assim como chegastes a nossa casa, você se foi, um raio de luz, que durante muito tempo tudo iluminou e tornou mais belo e agora que se foi, virou constelação.

Chiara sendo banhada por sua melhor amiga, Vanessa com sua amiga Sol.




Chiara                                 

Restam-nos as lembranças das horas felizes que se multiplicavam a cada dia, dos passeios que você adorava e tão ansiosamente aguardava, das ensolaradas tardes no atelier, você ao meu lado, ora deitada dormindo ao som de alguma música suave, ora observando orelhas em pé o ir e vir de alguma lagartixa ou o vagar de um inseto qualquer entre os raios de sol dourados do entardecer. Ambas tão felizes em poder compartilhar momentos preciosos, envolvidas pela arte e pelo verde jardim que você tanto amou.



    Esperando para passear


Dormindo no aconchego do                                                 atelier


Chiara no atelier observando o jardim.



Chiara, companhia constante ao meu lado no atelier.


Relembrarei com um sorriso no coração sua presença quando íamos cozinhar e você surgia não sei de onde pedindo passagem, pleiteando um lugarzinho somente seu, debaixo da mesinha de onde você me fitava tranquila e feliz, prestando atenção a cada movimento meu, a cada detalhe culinário. Depois de um tempinho, lá estava você adormecida, sonhando com os cheiros e aromas...


Chiara pedindo para entrar na cozinha.




Chiara sonhando.




Você que nunca foi ruidosa, que dominava a arte de pedir com o olhar, implorando seus biscoitos de cereais ou os “bifinhos” da vovó. Recordarei eternamente do som grave de seu latido que se fazia presente apenas quando necessário ou então quando entravam micos e gatos alheios em nosso jardim. Estes últimos, você ainda os tolerava, com uma ruga em sua testa, assim como consentias os nossos gatos, mas os miquinhos, ah! Estes micos danados, lhe tiravam a paz definitivamente...


Chiara comendo um dos  deliciosos “bifinhos” da vovó, estrategicamente de costas para não correr o risco de ter de dividir.


Chiara em posição ”apontar” escutando miados de gatos alheios.



Mico, o “desassossego” de                                                  Chiara.


Chiara estressada com os micos.


Sempre corajosa, temia somente as raras idas ao Veterinário (que neste último mês foram tantas) e o som do “poderoso Zopf” sendo fabricado. 


Massa do“ Poderoso Zopf” fermentando, fase que Chiara temia.



Zopf Bernês prontinho.                


Evocarei seu sorriso canino toda vez que intuías que andaríamos de carro porque era certeza de caminhadas por trilhas verdejantes e passeios pela lagoa. Rememorarei suas traquinagens e pequenas bagunças não obstante lembrarei sempre e também de sua inteligência, do seu porte elegante, do seu caminhar, sempre ao meu lado ou esperando por mim. Você, que nunca me falhou em nenhum único momento sequer, que seguiu firme e amorosa conosco por entre perdas e dores, que não me abandonou nem por um minuto quando meu medo se fez pânico, e que nunca, jamais me julgou.



Rabinho abanando: vamos                                                    passear?

Devidamente posicionada como copiloto.



Nosso “Passeio Fibras” – Trilhas no parque do Cocó.                                                                              


  Sorriso largo.



“Pit Stop” no riachinho da                                                   trilha


Inseparáveis – Vanessa e Chiara.



Segundo passeio predileto – lagoa.



Sorriso ao chegar.               


Vista da lagoa.


Abanando o rabinho para                                                            os Marrequinhos.

           Saudando a Chiara.

Banquinho do descanso.

A espera de um sorvetinho!
                                                                       (menos o da mamãe - de açaí)


Matutando baguncinhas...



Fazendo traquinagem no canteirinho da                  “mamãe”!


Fingindo indiferença....



Ah,  este seu olhar...               


Minha doce Chiara.


Guardarei no meu coração por toda a eternidade seu olhar cor de âmbar, o mais belo, profundo, amoroso e doce que já vi. 



 Chiara


Obrigado amiga minha, pelas alegrias, pelos risos que pude dar, pela sua amizade, pelo seu amor incondicional, pela bondade ímpar, pela fidelidade e por nos proteger, sempre, mesmo que fosse com sua vida. 


           Juntas sempre.


A morte é apenas passagem, uma curva mais acentuada em nossa jornada de vida, e em algum lugar, algum dia, sei que nos reencontraremos, todos nós.
Não lhe digo adeus, Chiara do meu coração, digo-lhe apenas, até breve...


Chiara já com mais idade.

Com todo meu amor, Dê.



Texto: Delia Corecco Steiner.

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