O Equinócio de Primavera (também conhecido como Ostara ou
Eostre) é uma comemoração pagã celebrada originalmente por diversas culturas
pré-cristãs. Essa data era festejada pelos germânicos em honra à Deusa Ostara.
Entre os celtas era um dos oito festivais sazonais sagrados. Na Wicca e em
outras tradições neopagãs a data também é celebrada de diversas maneiras, mas
com o intuito principal de agradecer pelas bênçãos de fertilidade e iniciar
novos plantios.
O simbolismo dessa data está relacionado ao despertar da
energia vital da Mãe Terra, ao desabrochar das flores e dos sentimentos de
equilíbrio e renovação, à primavera.
Devemos incluir nos nossos plantios, o amor, as promessas, as
esperanças e as decisões importantes, pois este é o momento em que a Terra e a
Natureza despertam para uma nova vida. Você, como filho (a) da Mãe Terra, não
pode ficar de fora desse despertar, pois ignorar o desabrochar das flores é o
mesmo que ignorar as bênçãos que os Deuses lhe oferecem.
Amate Bark Painting on wood by Delia Corecco Steiner
ATELIER FAZENDO ARTE DMC
O tênue fio que liga o homem ao espírito pode ser observado na confecção do “Amate”, o papel sagrado dos povos pré-hispânicos. Os astecas usavam extensivamente o papel, que chamavam na língua Nahuatl de “Amatl”, para escrever os feitos de seus heróis e seus ritos religiosos e sagrados. Pouco se sabe sobre quando os Mayas iniciaram a manufatura do papel, que eles chamavam huun. Os toltecas o utilizavam desde os tempos antigos, como os demais povos do México.
Aztec pictorial calendar wheel, 1530.Amate paper.
Mayan Deity on Amate Paper
Este papel foi tão importante para as necessidades espirituais da comunidade, que apesar de intensas medidas repressivas por parte dos espanhóis e consequentemente da igreja, à època, sobreviveu e ainda é usado para conectar os mundos invisível e terreno em rituais xamanicos. Em meados de 1900 o papel “Amate" sofreu um renascimento que re-vitalizou a relação entre os povos indígenas e seu passado.
Papel Amate, pedra vulcânica e carimbo.
Amate Bark Painting
Em parte, este costume de uso ritual do papel continua em San Pablito, nas terras altas do norte do estado de Puebla, México, o único lugar em toda a Mesoamérica onde se mantém a tradição do século III d.C. Os Xamãs do povo Otomi, que historicamente foi relegado às montanhas, ainda usam com frequência o papel Amate em suas oferendas e rituais.
Natives of Otomi people.
San Pablito Pahuatlan village.
Cerimonial bark Paper tunic.
A medida que se atravessa a serra em direção a San Pablito, o som rítmico do golpear de pedras sobre a madeira vai se fazendo audível. Neste “pueblo”, rodeado de montanhas a quase maioria de seus habitantes ainda produzem o papel “Amate” como o fizeram seus ancestrais.
Amate Paper crafting.
Produzem os mais belos papéis , desde o Amate liso, passando pelo Amate artístico, incluindo o papel Amate recortado por xamãs e utilizado para fins ritualísticos religiosos. Os xamãs recortam figuras de espíritos, do bem e do mal, evocando abundância em contrapartida da escazes.
Natural Amate Bark paper.
Amate Bark paper samples.
El Señor de los montes de Bithé, en el libro del Chamán.
Veja a seguir o xamã de San Pablito, Don Alfonso García, em ritual para pedir chuva a mãe Terra, utilizando-se também dos recortes do papel “Amate”:
O “Amate”, pronuncía-se “ah-MAH-tay”, recebe a denominação de papel pelo fato de ser produzido manualmente a partir da casca interna de certas àrvores embora o processo de fabricação seja diferente do utilizado para a produção de papel comum. Talvez, seria melhor denominá-lo de “tecido não tecido”, já que como poderão observar no vídeo a seguir, o mesmo se assemelha a um tecido rustico. Na era pré-hispânica o papel amate foi produzido com a casca interna de árvores como ficus e morus, com o tempo passou-se a obtê-lo esmagando-se a casca das jonotes branco e vermelho (Cotinifolia Ficus Ficus e Padifolia), que seguindo o processo de manufatura ancestral serão cozidos em água de cal. O resultado é uma folha de cores vegetais fibrosas que variam de castanho escuro para amarelo.Veja o processo a seguir:
"Ficus" from wich Amate bark paper is extractet
After cooking, the jonote bark looses lignin contents and other cellulosic components. He has to be washed with plenty of water to obtain fibers ready to be worked.
Preparing already dry jonote fibers.
Volcanic stone used to manufacture Amate Paper.
Producing the Amate paper
O papel “Amate”utilizado através dos séculos e em diferentes culturas do México, caracteriza-se também por ser um veículo de cultura e conhecimento sendo até hoje utilizado por diversos artistas em apoio aos seus trabalhos, tornando-se “tela” para receber a pintura típica ou ainda sendo o “Amate” ele mesmo utlizado de forma artística em trabalhos sem qualquer outra intervenção que a própria fibra.
Several works on Amate paper.
Ao longo da existência do ser humano, a arte tem sido uma parte importante da cultura social. A arte folclórica de outras culturas nos ajuda a apreciar o que estas pessoas de lugares tão diversos consideram valioso e bonito, aprendendo a ver o belo atravês do olhar deles.
As pinturas de papel amate são uma combinação de tradições Nahua e Otomi, seus descendentes mantendo as tradições pintam belíssimas aves, plantas e animais quase que beirando a utopia, dando vazão ao imaginário popular daquele povo. Geralmente é escolhido um animal, imaginário ou real, como centro de atenção da pintura, este deve estar disposto na pintura de forma a mostrar movimento. A ele acrescenta-se outros animais, plantas e flores emoldurando-o com um padrão de repetição, que geralmente ainda mostra alguma sobreposição. Ainda pintam cenas típicas do cotidiano no estilo naïv.
Tomaz Ramirez, Amate bark painting artist.
Amate bark painting artist.
Amate bark painting naïv.
As pinturas se dividem em tradicionais, mantendo as cores fortes que sempre encantaram os povos mesoamericanos e em cuja combinação eles são mestres; as pinturas exclusivas, nas quais já podemos ver a forma monocromática de pintura, assim como a utilização do método de pintar com apenas cores análogas (cores vizinhas na roda de cores, como amarelo e laranja; verde e azul) conferindo um aspecto de serenidade a pintura. Por último, podemos citar a pintura tipicamente maia, retratando figuras míticas e típicas daquela civilização.
Tradicional Amate Bark Painting
Monochrome Amate Painting.
Amate paper painting done in analogous color scale.
Traditional birds with mayan calendar.
Deities.
Um sem número de artes típicas são ainda produzidas com o papel “Amate”. Podemos citar a tradicional arte do “papel picado” (papercut) assim como uma das versões dos “Alberijes”, esculturas feitas de madeira, e no caso da “Cartonería”, figuras feitas usando a técnica do Papel machê, utilizando em alguns casos o papel “Amate”. São ainda produzidas, belíssimas luminárias decorativas com o papel “Amate”.
Amate Papercut.
Amate Papercut.
Owl Alberije sculpture made with Amate Paper
Luminaire made on Amate paper.
Nas culturas mesoamericanas ainda se utilizava o papel "Amate" na produção de livros dobrados em acordeão, incluindo os códices maias e astecas.
Enquanto a grande maioria dos artesãos mexicanos Nahua são desconhecidos, alguns ganharam reconhecimento internacional. Os irmãos Camilo Ayala são bem conhecidos por seu trabalho. O Smithsonian exibe duas pinturas de Marcial Camilo Ayala.
Felix Camilo Ayala
Marcial Camilo Ayala
Marcial Camilo Ayala and one of his pictures painted on Amate Bark paper.
Contar histórias através de pinturas é uma arte popular. Em todos os lugares e recantos de nosso mundo as pessoas fazem isso. É assim que ficamos ligados um ao outro. Para mim, arte popular e folclórica é arte sim, porque nos eleva a um nível muito sofisticado onde a alma humana se faz visível.
"Los que están mirando, los que cuentan,
los que vuelven ruidosamente las hojas de los libros de pinturas.
Los que tienen en su poder la tinta negra y roja, las pinturas.
Ellos nos llevan, nos guían, nos dicen el camino".
(Xamã Otomi)
Hoje gostaria de prestar minha homenagem as mulheres, em especial a todas as mulheres que fazem de alguma forma parte de minha vida e que, em sendo mulheres iluminaram com doçura e força meu caminhar. À minha mãe, minhas filhas e minhas amigas, muito obrigado!
In Unity is Strengh, painted by Delia Corecco Steiner.
Lápis aquarelável sobre papel.
ATELIER FAZENDO ARTE DMC.
MULHER
Ser
mulher...
É viver mil
vezes em apenas uma vida.
É lutar por
causas perdidas e
sempre sair
vencedora.
É estar
antes do ontem e depois do amanhã.
É
desconhecer a palavra recompensa
apesar dos
seus atos.
Ser
mulher...
É caminhar
na dúvida cheia de certezas.
É correr
atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar
o sol num dia de chuva.
Ser
mulher...
É chorar de
alegria e muitas vezes
sorrir com
tristeza.
É acreditar
quando ninguém mais acredita.
É cancelar
sonhos em prol de terceiros.
É esperar
quando ninguém mais espera.
Ser
mulher...
É
identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser
enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no
fundo do poço, e emergir sem ajuda.
Ser
mulher...
É estar em
mil lugares de uma só vez.
É fazer mil
papeis ao mesmo tempo.
É ser forte
e fingir que é frágil...
Pra ter um
carinho.
Ser
mulher...
É se perder
em palavras e
depois
perceber que se encontrou nelas.
É
distribuir emoções
que nem
sempre são captadas.
Ser
mulher...
É comprar,
emprestar, alugar,
vender
sentimentos, mas jamais dever.
É construir
castelos na areia,
vê-los
desmoronados pelas águas.
E ainda
assim amá-los.
Ser
mulher...
É saber dar
o perdão...
É tentar
recuperar o irrecuperável.
É entender
o que ninguém mais conseguiu desvendar.
A palavra
Páscoa advém do nome hebraico “Pessach”, que denomina a festa judaica à qual a Páscoa cristã
está intimamente ligada. Simbolicamente significando “passagem” representa
tanto às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas
(da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), quanto às
celebrações cristãs que celebram o renascimento de Jesus e sua ascensão aos
céus.
Pagan Easter Godess
Moses leads
the Jews across the Red Sea
Christian Beliefs on Jesus Resurrection
As
festividades da Páscoa estão associadas à imagem do coelho, um símbolo de
fertilidade, e aos ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz
solar, que são ofertados como presentes.
O ovo é
considerado a mais perfeita embalagem natural. Em diversas culturas também
simboliza o começo do universo. Os sacerdotes druidas escolheram o ovo como
símbolo de suas crenças. Outra corrente assegura que o ovo é símbolo pascal
inspirado no costume chinês de colorir ovos de pata, para celebrar a vida que
deles se origina.
Ovos eram
cozidos e comidos durante os festivais do antigo Egito, Pérsia, Grécia e Roma,
e também eram presenteados para celebrar a chegada da florida primavera, depois
do inverno branco no Hemisfério Norte. Estas
culturas tinham o ovo como emblema do universo, a palavra da suprema divindade,
o princípio da vida.
Os ovos de
chocolate propriamente ditos só começaram a aparecer no século XVII; os ovos
feitos de plástico e recheados com bombons surgirampor volta de 1960. Na verdade
a troca dos ovos de pato ou galinha pelos de chocolate se deve ao fato da
descoberta e da comercialização em massa do chocolate naquela época. De
qualquer forma o ovo em si simboliza a vida imanente, oculta, misteriosa que
está por desabrochar.
O coelho
simbolizando a Páscoa também tem origem anglo-saxônica e pré-cristã, simbolizando
a fecundidade. Lebres e
coelhos eram associados à abundância da nova vida, após um inverno de
privações. Na verdade era uma lebre – que já nasce com os olhos abertos - e não
um coelho que simbolizava a Páscoa.
Desde a
antiguidade a lebre, cuja gestação dura apenas um mês, era a representação da
Lua, que neste mesmo espaço de tempo passa da escuridão da Lua Nova ao brilho
da Lua Cheia.
De fato,
para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a
Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano,
homenageavam “Ostera” deusa da Primavera, que segura um ovo em sua
mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor
de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma
nova vida. Os ovos, símbolos da fertilidade, eram pintados com símbolos mágicos
ou de ouro, e eram enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses. É o
Ovo Cósmico da vida, a fertilidade da Mãe Terra.
A última
Lua cheia após o equinócio de inverno determinava a data da Páscoa. Também de
acordo com as lendas, o coelho de Páscoa era um belo pássaro que pertencia à
deusa Eostre que um dia, como por um passe de mágica se metamorfoseou. Como no
âmago - continuava pássaro, o coelho continuava a construir seu ninho e o
enchia de ovos. Ostara, o Equinócio da Primavera, e também conhecido como,
Ritos da Primavera e Dia de Eostra, assinala o primeiro dia da real primavera.
As energias da natureza mudam subitamente do repouso do inverno para a
exuberante expansão da primavera. A Deusa cobre a terra com seu manto de
fertilidade.
Muitas são
as tradições e crenças. As crianças tchecas acreditam que uma cotovia lhes
traga presentes na Páscoa, as suíças e as alemãs possuem outras duas opções,
além do coelho: galos ou cegonhas. No Brasil, a
tradição do coelho e dos ovos de Páscoa data do início do século XX. Foi
trazida, em 1913, por imigrantes suíços e alemães.
A Páscoa
está chegando. O mais comum é que as crianças montem seus próprios ninhos de
Páscoa, sejam de vime, madeira ou papelão, enchendo-os de palha, flores e
raminhos. Os ninhos são deixados para o coelhinho colocar doces e ovinhos na
madrugada da Páscoa. A 'caça ao ovo' ou 'caça ao cestinho' também é utilizada. Nos
países europeus, as crianças são incentivadas a pintar os ovos. Cada país
europeu tem suas tradições quanto a estas festividades, porém, até os dias de
hoje, mantêm-se o hábito de presentear com ovos coloridos as pessoas queridas
na época da páscoa.
Criança Sorábia seguindo a tradição de decorar Ovos de Páscoa.
Pintar ovos
pode ainda se tornar uma coisa séria, e dependendo do país, ser considerado uma arte, que poucos sabem
reproduzir.
Artista Sorábia decorando ovos de páscoa.
Dos meus
antepassados trago o costume do “Eierfärben mit Blättertechnik”, ou
simplesmente tingir ovos usando o que a natureza nos dá. Lembro de quando minha
mãe nos levava para procurar flores e pequenos raminhos de plantas, que
colocávamos cada qual em seu cestinho. Procurávamos pelos mais belos, pois que estes
viriam a decorar os nossos ovos, que tingíamos cozinhando os mesmos em água com
cascas de cebola (roxa ou marrom). Para nossas pequenas mãos de criança,
prender os raminhos e as flores ao redor dos ovos com uma fina linha de
costura, nunca se mostrou tarefa fácil, porém quando conseguíamos, ficávamos
muito orgulhosos. O resultado vocês podem ver nas imagens a seguir, uma vez que
mantive esta prática que se perde no tempo, ensinando-a aos meus filhos, que
“quizás” a passarão para a próxima geração.
Ovos já decorados com plantas.
Flores e raminhos decoram ovos crus, esperando ser cozidos em àgua com cascas de cebola.
Eis o resultado, a natureza ajudando a fazer arte.
Da metade para a esquerda, ovos cozidos com casca de cebola marrom.
Da metade para a direita, ovos cozidos em casca de cebola roxa.
Natureza Fazendo Arte.
“A Páscoa é
tão somente um recomeço, onde estará em alta a certeza de um futuro repleto de
realizações, esperando que o Amor inunde o coração dos Homens...”