25 de set de 2012

GATOS & HISTÓRIA DA ARTE


                                       Cat's at Moonlight - Delia Corecco Steiner


Amo os gatos. Estes seres sensíveis enxergam nossa alma, envoltos em uma nuvem de mistérios parecem perceber outras realidades e dimensões. Solitários, porém nunca sozinhos, bastam-se a si mesmos sem, porém perder o charme, sem deixar de nos dar atenção e amor, tudo isto bem dosado por eles mesmos, é claro!
A partir de agora, de post em post, iremos caminhar um pouco junto com estes felinos, pela História da Arte, encontrando e reencontrando-os retratados em quadros, desenhos, esculturas e objetos de decoração. Convido-os a deixarem os gatos lhes surpreenderem.
                                                      
                                                       Bastet - Divindade Egípcia

No antigo Egito eram associados a divindades como a deusa Bastet - deusa egípcia da felicidade, fertilidade, do sol e da lua - assim passaram a ser considerados sagrados. Se tornaram os guardiões da noite, dos mortos e dos mistérios da vida. Matar um gato, mesmo acidentalmente, era crime grave.



Para os romanos, o gato era o maior símbolo de liberdade. Na Roma antiga, qualquer representação da Deusa Libertas, Deusa da liberdade normalmente apresentava um felino repousado a seus pés.
 
Roman Mosaic - Cat
 
 
Roman mosaic - Cats
 

Na Grécia, os gatos era associados à deusa Afrodite, deusa do amor e da beleza.
 
Aphrodite
 
 
 
Greek Sculpture, Cat and Dog
 

Na Babilônia, criou-se a lenda de que os gatos haviam surgido do espirro de um leão, que era símbolo de realeza.


 
                           Babylon Lion - 6th Century BC
 

Para os Celtas, o gato é o guardião de outros mundos, criando um elo entre eles.
 
                                                        Celtic Cat
Os povos nórdicos, não só os vikings, mas em geral todos os povos germânicos, cultuavam a deusa Freyja (mais tarde deu o nome à  Friday, Freitag, Fredag..., o dia de Freyja) simbolizada por uma mulher loira a conduzir uma carruagem puxada por dois gatos – Bygul (ouro de abelha – mel) e Trjegul (ouro de árvore – âmbar).  Deusa do amor, da beleza, da sexualidade, da fertilidade e do bem-estar, e também do nascimento e da morte. Era quem conduzia os heróis mortos em batalha, dando metade das almas a Odin, rei dos deuses, ficando com a outra metade no seu domínio, onde eram aquecidos e bem tratados, e onde mais tarde se juntariam às suas amantes ou esposas. Os gatos eram os animais preferidos da deusa, simbolizando carinho, sensualidade e fertilidade.
 
Freya Goddess with Bygul and Trjegul
 
 
Freya Statue with Cat
Na China, estátuas de gatos eram usadas para espantar os maus espíritos.
                                           Gato da Sorte Chinês

No Japão, os gatos eram figuras presentes em todos os momentos e é fácil encontrarmos exemplos de estátuas conhecidas como Maneki Neko, gato da Sorte e da Fortuna, e pinturas representando os gatos. O gato quando morria, era enterrado no templo de seu dono para garantir a ele boa sorte e tranqüilidade.
 
Maneki Neko Japonês
 
 
A Deusa Hindu que preside aos nascimentos, Shosti, é representada montada num gato.
 
                                        Shosti Goddess with Cat
Na tradição muçulmana o gato é dotado de "Baraka", a "Chama Sagrada do Espírito". Os gatos são bastante representados na arte Islâmica.
 
                         Bronze Incense burner from Seljuk Period,
                         representing a cat dating 1181 (Eastern Iran)
 
Calligraphy Cat -  Islam
O gato e o Judaísmo: uma antiga lenda hebraica conta que o gato teria sido criado em plena Arca, quando Noé, em desespero porque os ratos estavam se multiplicando e devorando todas as provisões, implorou a Deus que lhe enviasse uma solução. O gato então teria sido criado de um sopro do leão. A figura do gato é ainda irrevogavelmente ligado ao misticismo e a simbologia da Cabala , sabedoria oculta e esotérica. O Talmud revela que credita ao gato a clarividência.
 
                          Henriette Ronner - Knip  / Black Cat
 
 
                                    Noah's Ark - Edward Hicks
Asia: Em todo o sul da Ásia, ao longo dos séculos os gatos têm desempenhado um papel importante na herança religiosa budista e cultural. Para os budistas, todos os gatos são considerados portadores de boa Sorte. Uma lenda tailandesa afirma que Mara, príncipe dos demônios, enviou uma praga de ratos para devorar as escrituras sagradas budistas. Naquele momento, Buda criou o primeiro gato do mundo e chamou Phaka Waum.  Ele afugentou os ratos e salvou as escrituras, e desde esse dia os seguidores de Buda  consideram um pecado prejudicar um gato.
 
 
Cat sleeping near Buda Statue
 
 Muito antes dos ensinamentos de Buda iluminarem os povos da Ásia, um templo foi construído no alto das encostas do Monte Lugh pela tribo Khmer que viveu na Birmânia Ocidental. O templo foi chamado Lao-Tsun e foi aqui, que os sacerdotes Kittah adoravam o ouro, a deusa de olhos azuis Tsun-Kyan-Kse, a cujos cuidados a transmigração das almas foi confiada. O templo era guardado por cem gatos brancos com olhos amarelos. Para seus corpos sagrados, segundo a lenda, passavam  as almas dos sacerdotes mortos, para serem transportados para o paraíso misterioso de Song-iio, assim que os gatos morriam. Acreditava-se que, se alguém fizesse mal a estas criaturas sagradas, sua alma vagaria em tormento por toda a eternidade.
 
 
                                           Khmer Temple
 
                                          Burma Sacred Cats
A todos vocês desejo uma ótima semana, obrigado por estarem aqui conosco!

 

 


 

17 de set de 2012

ARTE E SUAS CURIOSIDADES - O CÉU DE VAN GOGH


                                       The Starry Night -  Vincent Van Gogh

Mais recentemente um especialista em história da arte e um astrônomo, se juntaram para reconstituir o céu como teria sido visto por van Gogh no dia em que pintou “Noite Estrelada”, um dos seus quadros mais famosos. E chegaram a uma conclusão surpreendente. O artista realizou a obra a partir de uma cena real, muito mais do que através de uma especulação imaginativa. A posição da lua e das estrelas mais marcantes no quadro sugere que a obra foi esboçada aproximadamente as 4 da madrugada de 19 de julho de 1889.  A data já era conhecida, assim como o local do ponto de vista do autor, a janela de um asilo em Saint -Remy. O quadro mostra com exatidão onde estariam a Lua, no lado direito do quadro, Vênus, em oposição, perto do cipreste e as três estrelas da constelação de Carneiros, mais acima, entre outras.

"Uma das coisas mais bonitas dos pintores do século XX", Van Gogh havia escrito para Theo seu irmão, em abril de 1885, "tem sido o retratar em pintura da escuridão, que, ainda assim é cor".


12 de set de 2012

PERSONALIDADES - FRANZ MARC


                                                 FRANZ MARC
Franz Marc
 
Today we are searching for things in nature that are hidden behind the veil of appearance... We look for and paint this inner, spiritual side of nature.”
- Franz Marc
Hoje estamos em busca de coisas na natureza que estão escondidas por trás do véu da aparência ... Nós procuramos e retratamos este lado interior, espiritual, da natureza. "
 - Franz Marc
 
 
                                               Cottage on the Dachau - Franz Marc - 1902
Franz Moritz Wilhelm Marc , pintor, desenhista e artista gráfico alemão, foi um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha. Decidiu iniciar seus estudos na Academia de Belas Artes de Munique, em 1900, depois de passar pela filosofia e pela teologia. Suas primeiras criações foram paisagens, de estilo naturalista.
Seu pai, Wilhelm Marc, formado, pela Academia de Belas Artes de Munique, era exímio paisagista, originário de uma família bávara de funcionários públicos. Sua mãe, Sofia, nascida Maurice veio da Alsácia e passou sua infância na parte francesa da Suíça, onde ela participou de uma abordagem estritamente calvinista
 
                                         Portrait of the Artists Father - Franz Marc
 
 
                            Portrait Of The Artists Mother - Franz Marc
 
 Graças ao seu excelente domínio do francês, que lhe fora transmitido pela mãe, durante duas temporadas que passou em Paris (1903 e 1907), descobriu o impressionismo e sobretudo uma grande afinidade com a obra de Vincent Van Gogh. Em 1910, fez amizade com os pintores August Macke, Gabriele Münter e Wassily Kandinsky. Com eles e outros pintores dissidentes do movimento Neue Künstlervereinigung, fundou o grupo “Der Blaue Reiter “ em 1911, em Munique, juntamente com Wassily Kandinsky.
 
 
                                        Die Grossen Blauen Pferde - Franz Marc
Este grupo de artistas de inspiração expressionista se manteve até o início da Primeira Guerra Mundial. Seus principais integrantes foram, Wassily Kandinsky, Franz Marc, August Macke, Paul Klee e Marianne von Werefkin, e posteriormente , Robert Delaunay.
São desta época, as obras de Franz Marc, "Die Grossen Blauen Pferde" e "Die Gelbe Kuh".
 
                                 Die Gelbe Kuh - Franz Marc
 
Influenciado pelo uso da cor do artista francês, Robert Delaunay,  gradativamente sua obra se aproxima do futurismo e do cubismo e para a crescente abstração, até culminar na abstração expressiva. O tema é a força vital da natureza, o bem, a beleza e a verdade do animal, que o autor não vê no homem.
 
                                 Zwei Katzen, blau und Gelb - Franz Marc
 
 
                                               Kühe - Franz Marc
 
 
                                                                             Pigs - Franz Marc

Blue is the male principle, stern and spiritual. Yellow the female principle, gentle, cheerful and sensual. Red is matter, brutal and heavy and always the colour which must be fought and vanquished by the other two.
- Franz Marc
 “O azul é o princípio masculino, severo e espiritual. O amarelo, feminino, gentil, alegre e sensual. O vermelho é a matéria bruta, a violência, a cor ser combatida e vencida pelas outras duas. "  
- Franz Marc


                                      Fox, Dog and Cat - Franz Marc
Franz Marc se utilizava de  técnicas como tinta a óleo, guache, lápis, aquarela e xilogravura. Seus temas preferidos eram os animais como um símbolo de originalidade e pureza, porque eles incorporam a idéia de criação e viver em harmonia com a natureza. Se sentia intimamente ligado a eles e tentou representar o mundo através da visão deles, mediante a simplificação formal e cromática do mundo, expressando a utopia de um mundo celestial. O uso da cor em seu trabalho é não só expressiva, mas também simbólico porque Marc criou leis e simbolismo, próprias para as cores, denotando-lhes um significado.
 
                                   Spielende Katzen - Franz Marc
Na Primeira Guerra Mundial, Franz Marc apresentou-se como voluntário. Em 1916, em Gussainville, nas proximidades de Verdun, foi abatido por um obus, quando realizava missão de reconhecimento. Morreu jovem, aos 36 anos.
 
                                                                       Franz Marc
Artistas expressionistas como Franz Marc se utilizavam da cor, das formas e das linhas para expressarem os seus sentimentos. Com a pintura expressionista começamos a nos distanciar da idéia de que o artista pintava apenas para imitar a natureza e o ser humano, retratando-os. Cria-se pela primeira vez na história da pintura o conceito de que o artista sente uma necessidade interior de recriar não somente as emoções humanas, mais principalmente dar vazão aos próprios sentimentos, propondo uma arte pessoal e intuitiva, onde predominasse a visão interior do artista – a "expressão" – em oposição à mera observação da realidade – a "impressão". A linha e a cor são usadas de forma emotiva e carregadas de simbolismo.
  Nesta mesma época a Psicologia começa a sugerir que estas mesmas cores e formas possuem qualidades emocionais específicas, podendo ser alegres ou tristes, deprimir ou inspirar.
 
 
                                Horses in Pasture - Franz Marc
 
 
                                                    Cats on a red cloth - Franz Marc

Art is nothing but the expression of our dream; the more we surrender to it the closer we get to the inner truth of things, our dream-life, the true life that scorns questions and does not see them.
- Franz Marc
A arte nada mais é do que  a expressão do nosso sonho,  mais que nós nos rendemos a ela  mais nos aproximamos da verdade interior das coisas, ao nosso sonho de vida, a verdadeira vida que despreza e não vê as perguntas "
 - Franz Marc
 

                                       In The Rain - Franz Marc
 

7 de set de 2012

FANTASY ART - FAIRIES





                          Moonlight - Lápis aquarelável sobre papel cançon
                                          
                                    Larissa Amanda

 
Fantasy Art

 A Imaginação não tem limites ela é criada por nós no mais íntimo, no silêncio,

onde  a criatividade transmite o nosso talento, onde a ousadia dos detalhes faz o sonho criar asas. Libertando nosso ser das amarras de uma realidade considerada “maya”.

O que é ilusório não são as coisas em si mesmas. A ilusão está em nossa incapacidade de perceber as coisas como são em seu próprio nível de realidade. Nós as vemos de forma distorcida, de acordo com nossas limitações sensoriais e nossos condicionamentos. Isso não significa que as coisas “não existam”, e sim que não podemos percebê-las como são em si mesmas.

Quimera ou não, o mundo das fadas , dos elfos, dos duendes é real, senão provado cientificamente, subsiste e persiste em nossos corações e mentes.

 Sempre acreditei e ensinei aos meus filhos que, em nosso ser essencial mais íntimo, somos partes integrantes e inseparáveis de uma consciência única, estamos ligados por elos invisíveis com tudo o que existe, e esta crença de alguma forma se materializou dentro de cada um deles, fazendo com que pudessem externar em forma de arte a semente plantada em seu ser.

A seguir lhes apresento com muito orgulho, um pouco desta arte, conhecida como Fantasy Art, saídas dos sonhos e das visões destas artistas sensíveis que são minhas filhas. Espero que ela possa permanecer em seus espíritos mantendo vivos seus corações.


                         Ray Of Sunlight -  Lápis aquarelável sobre papel cançon
                                       
                                             Vanessa Alessandra


 
Fadas (latim fatum: destino), são criaturas fantásticas e etéreas, geralmente personificadas como  belas  mulheres, que segundo a tradição são protetoras da natureza, um produto de nossa imaginação, ou não; tradição ou crença,  pertencentes a esse fabuloso mundo dos duendes, gnomos, elfos, sereias e gigantes que dão cor e vida à lendas e mitos de todos os povos antigos

 
                            Just Wondering... -  Lápis aquarelável sobre papel cançon
                                          
                                                  Larissa Amanda



Fadas são constantemente atraídas por todas as formas de criatividade e arte, acima de tudo, por instantes de profundo sentimento, que desejam compartilhar. Amantes, poetas, artistas, escritores, escultores, tecelões, músicos de todas as artes têm de admitir que estão em débito com uma força não identificável, que é invisível, caprichosa, sensível, delicada, incompreensível e poderosa, chamada de "inspiração" ou "Muse" a qual, quando presente, se torna  irresistível.
 
 

 
                         Gypsy - Lápis aquarelável sobre papel cançon
                                     Larissa Amanda

 


I believe in everything until it's disproved. So I believe in fairies, the myths, dragons. It all exists, even if it's in your mind. Who's to say that dreams and nightmares aren't as real as the here and now?”



― John Lennon



Eu acredito em tudo até que seja refutado. Então, eu acredito em fadas, nos mitos, nos dragões. Tudo existe, mesmo se está em sua mente. Quem vai dizer que os sonhos e pesadelos não são tão reais como o aqui e agora? "

- John Lennon



                                 Enlightenment - Lápis aquarelável sobre papel cançon


                                                        Vanessa Alessandra

"We call them faerie. We don't believe in them. Our loss. "

Charles de Lint

 
"Nós as chamamos de fadas. Nós não acreditamos nelas.Que desgraça nossa."

Charles de Lint
 
 
                                       Beauty Rose - Lápis aquarelável sobre papel cançon
 
                                                  Larissa Amanda
 
 
A rustle in the wind reminds us a fairy is near.
Author Unknown
 
Um sussurro do vento nos lembra uma fada está próximo.
 Autor Desconhecido
 
 
                   Winter Shaman - Lápis aquarelável sobre papel cançon
       
                                             Vanessa Alessandra
 
 



Tudo que você pode imaginar é real.

Pablo Picasso


 Everything you can imagine is real.

Pablo Picasso


 
                               Queen of the Night -  Lápis aquarelável sobre papel cançon
                                                    Larissa Amanda
 
 
 
                                                           Flower Fayrie - Bordado
 
                                                 Larissa Amanda
 
 
                                                 Resting among flowers - Bordado
 
                                                   Larissa Amanda
 


Fairies are invisible and inaudible like angels. But their magic sparkles in nature."

Lynn Holland


Fadas são invisíveis e inaudíveis como anjos. Mas sua magia é refletida na natureza. "


Lynn Holland
 

3 de set de 2012

PERSONALIDADES - MARC CHAGALL


                                                O Violinista Azul - Marc Chagall


MARC CHAGALL

Nascido em 1887 em uma família judia modesta na Rússia era o mais velho de nove filhos.
Seu nome é Moishe Shagal, mais conhecido como Marc Chagall, e ele viria a se tornar um dos mais importantes artistas do Surrealismo.
O cotidiano fluía simples no gueto judaico. O pai, judeu ortodoxo, tinha uma banca de venda de arenques no mercado. O trabalho alternava-se com a leitura diária dos livros sagrados e a freqüência assídua à sinagoga. A família atribuía significados simbólicos tanto ao trabalho quanto à diversão. Completava o ambiente familiar um avô que se isolava no sótão para tocar seu violino em sossego. As velas acesas e a mesa posta às sextas-feiras saudavam o Shabat. O talento de Chagall revelou-se em suas primeiras pinturas, nas quais representou as principais etapas da vida de um judeu devoto: seu nascimento, casamento e morte. Como pano de fundo de todas essas cenas, sua cidade natal, Vitebsk.


                           1909,  Russian Wedding - Marc Chagall

                                           
                                       1910, The Sabbath - Marc Chagall


                                                
                                 1917,  Market Place Vitebsk - Marc Chagall

Em 1907 a cidade de Vitebsk tornou-se demasiado pequena para seu aprendizado artístico. Era preciso partir, e assim o fez. Foi para São Petersburgo. Lá, graças a um subsídio mensal de dez rublos, Chagall pôde estudar na Academia de Belas Artes onde começou a estudar arte com Leon Bakst . Mais tarde, o advogado e deputado liberal Maxim Vinaver tornou-se seu patrono e estimulou-o a imigrar para a França, com a promessa de lhe enviar a soma de 125 francos por mês, como provisão para suas necessidades imediatas.



                                       Marc Chagall - 1921 Paris

O verão de 1910 já estava no fim quando Chagall chegou a Paris. O impacto foi imenso e Chagall preconizou:
“Aqui nasci pela segunda vez. Suas ruas, seus mercados são as academias de minha alma de pintor. Vivo imerso num banho colorido e encontrei aquela luz - aquela liberdade que não vi em parte alguma. Tudo me agrada”.

                    1913 - Paris Through the Window - Marc Chagall

Em París, viria a se juntar a um grupo de artistas no bairro de Montparnasse. Foi durante este período que ele pintou alguns dos seus quadros mais famosos, representando sua infância e juventude no mundo fechado das aldeias judaico-russas, em especial, enaltecendo o conceito de família e tradição. Desenvolveu ainda as características que se tornaram marcas reconhecíveis de sua arte. Cores fortes e brilhantes começaram a retratar o mundo em um estado de sonho. Fantasia, nostalgia e religião começam a se fundir para criar imagens de outro mundo.

               Entrance to the La Ruche du Passage Danzig, Montparnasse, Paris


Além de imagens do mundo judaico, e de elementos do folclore e da vida religiosa na Rússia, as pinturas de Chagall são inspiradas em temas bíblicos. Seu fascínio pela Bíblia culminou em uma série de mais de 100 gravuras, as quais ilustram uma Bíblia. Fez questão de denunciar a opressão nazista do Holocausto, contra os judeus e do regime stalinista (Quadro Crucificação Branca 1938) Ainda insere sua própria imagem em muitas obras, por vezes acompanhados de uma mulher, como um observador de seu próprio mundo.
                                      1938, A crucificação Branca - Marc Chagall





Israel, que Chagall visitou pela primeira vez em 1931 para a abertura do Museu de Arte de Tel Aviv, abriga  alguns dos trabalhos de Chagall, mais notavelmente os  12 vitrais no Hospital Hadassah e decorações de parede no Knesset. Chagall publicou em memória desta viagem o livro de carácter autobiográfico Ma vie (em português: "Minha vida")

                 Jerusalem Hassadah hospital Vitral - Marc Chagall

Em 1941, durante a ocupação da França pela Alemanha, migrou para os Estados Unidos. Lá encontrou uma acolhida calorosa contraposta a uma cética incompreensão diante de sua obra.

                                 Bella in Green - Marc Chagall

Em 2 de setembro de 1944 morre Bella Rosenfeld. Durante trinta anos foi a companheira adorada e ideal, misto de esposa e secretária, crítica de arte e escritora, mãe de sua filha e guia espiritual. Sua morte deixa o artista prostrado. Meses se passam até que retome o trabalho e ergua os olhos para o mundo que, apesar dos escombros, tenta reconstruir-se. Ao retomar os pincéis, Chagall não consegue evitar que o sofrimento da guerra e seu drama pessoal se traduzam nas imagens. “A alma da cidade”, de 1945, e  “ Em torno dela” exprimem a dupla angústia do pintor.


                               
                                     About Her - Marc Chagall  


Em 1963, Chagall, aos 77 anos, foi contratado para pintar o teto da Ópera de Paris, um edifício do século 19, majestoso  monumento nacional. André Malraux, ministro da Cultura da França queria algo original e decidiu  que Chagall seria a artista ideal. No entanto, esta escolha  causou polêmica: alguns se opuseram a ter um judeu russo decorarando  um monumento nacional francês, outros não gostaram de o teto de um edifício histórico ser pintado por um artista moderno. Chagall teria feito o seguinte comentário: “É impressionante a maneira como os franceses se ressentem com os estrangeiros. Você mora aqui por toda uma vida, se torna um cidadão naturalizado francês... trabalha de graça decorando suas catedrais, e ainda assim eles desprezam você. Você nunca será um deles!”

Ao som de  "Jupiter Symphony" de Mozart, compositor favorito de Chagall, sua pintura no teto da Ópera de Paris foi apresentada ao público em 23 de Setembro de 1964 na presença de Malraux e 2.100 convidados. O correspondente em Paris para o New York Times escreveu: "Pela primeira vez, os melhores lugares estavam no círculo superior!”

                                                   Ceiling Paris Opera - Marc Chagall

Na França e nos Estados Unidos da América pintou, para além de diversos quadros, vitrais e mosaicos. Explorou também os campos da cerâmica, tema pelo qual teve especial interesse.



                           Ceramic Plate by Marc Chagall entitled Moses




Uma das grandes contribuições para a arte são os vitrais de Chagall. Este meio de arte permitiu-lhe ainda expressar seu desejo de criar cores intensas e frescos usufruindo  da vantagem da luz natural e interagindo refração  em constante mudança. Tudo a partir da posição em que o espectador esteja posicionado para o exterior o tempo iria alterar o efeito visual. Ele tinha cerca de 70 anos de idade, quando projetou os vitrais para a igreja de Assy, seu primeiro grande projeto. Em seguida, ele criou os vitrais para a Catedral de Metz.

Em 1959, em visita a Paris, a presidente do Hospital Hadassah diz, instigando-o: “Agora o povo judeu veio a você. Esta é a sua oportunidade de criar algo que fique para a posteridade”.

Com entusiasmo, Chagall concorda em criar, na sinagoga do Hospital Hadassah, em Jerusalém, os doze vitrais representando às doze tribos de Israel. A cor dominante da janela de Reuven, o filho mais velho de Jacó,  é azul, simbolizando a frutificação.

                  Jerusalem Hassadah Hospital Windows by Marc Chagall
Em 1970 projetou 5 vitrais para a catedral  Fraumünster, Zurich, Suiça. Os vitrais são a principal atração do Fraumünster formando um conjunto de cinco vitrais , cada um com 10 metros de a seu tema e sua própria cor. Chagall pode ter usado as cores simbolicamente, como o azul e o verde que representam  a terra, vermelho e amarelo que representando os céus.
                                                   Chagallfenster Fraumünster Zürich
Chagall recebeu muitos prêmios e muito reconhecimento por seu trabalho. Ele também foi um dos poucos artistas a expor trabalhos no Museu do Louvre em vida.
Um repórter norte-americano perguntou-lhe se estava satisfeito com a vida que levava e quais eram as suas convicções: “Estou satisfeito” respondeu-lhe o artista. “Creio primeiro em Deus, no povo judeu, na sua continuidade, na pintura e na música de Mozart. A única coisa que desejo é fazer livremente o que eu quiser. Meu trabalho é minha satisfação. Quanto ao resto, tudo continuará. Haverá outros Chagall. Sempre os há, sempre haverá cores, música, poesia. Sempre haverá artistas atraídos pela luz”.
                                                       Exodus - Marc Chagall



Faleceu aos 97 , em 1985, e está enterrado na França, em Saint-Paul-de Vence ao lado de sua esposa e cunhado.

Marc Chagall manteve um estilo único. Foi celebrado pelos impressionistas alemães, impulsionou o desenvolvimento do surrealismo, teve alguma influência do cubismo, mas sua obra não pode ser categorizada por um único movimento artístico. O romantismo e as alegorias típicas de Marc Chagall imprimem em sua obra  mística, os sonhos, os símbolos e as referências de sua educação judaica tradicional, assim como sua memória infantil, campestre e coloridamente lúdico. Nos quadros, nas cerâmicas, nos vitrais... há sempre uma atmosfera enigmática, romântica, inefável que nos atraí como que ao mundo dos sonhos ou do inconsciente de cada um, um convite para um passeio entre o real e o imaginário, onde é possível brincar com as leis do tempo, do espaço e da força da gravidade

                                                    Enchantement - Marc Chagall

                                                  The Prophet - Marc Chagall
Blogger Wordpress Gadgets